Servidores
e assessores parlamentares avaliaram que veto seria derrubado não fosse manobra
do governo; caravana e ato em Brasília no dia 9, data de nova sessão, são convocados
pelo Comando de greve
O
dia foi longo. Mais ainda para quem, antes do ato em si, percorreu de ônibus centenas
de quilômetros até a capital federal. A pressão repercutiu forte no Congresso
Nacional, que viveu um dia focado na disputa em torno da votação ou não do veto
da presidente Dilma Rousseff ao PLC 28.
Foram
muitos os servidores do Judiciário Federal, principalmente, e do Ministério
Público da União, que se manifestaram nesta quarta-feira (2). Fizeram o quarto
grande ato nacional da campanha em Brasília, outro candidato a entrar para a
história dos maiores já realizados pela categoria. “Independentemente do
resultado financeiro, o sentimento de unidade nacional já é nossa maior
vitória”, disse Cesar Eduardo, que integrou a caravana do Sintrajud-SP, que
levou mais de três centenas de servidores de São Paulo a Brasília.
O
governo manobrou, jogou pesado e conseguiu derrubar a sessão conjunta da Câmara
e do Senado que poderia decidir sobre o veto ao projeto salarial. A movimentação
do Planalto deixou claro, porém, que o governo vislumbrava a derrota, ou corria
sério risco disso, se o veto fosse apreciado. “O governo não tinha segurança
com sua base, foi uma estratégia [esvaziar a sessão]”, disse à reportagem André
Luiz Santos, assessor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar
(Diap). “Derrubaram a sessão porque o governo sabia que perderia, mas
mantivemos o ato e a pressão sobre os parlamentares para se evitar uma nova
situação dessa”, disse o servidor Rodrigo Coutinho, do Tribunal Regional do
Trabalho da 15ª Região, que participou da caravana a Brasília.
O
presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), não presidia a mesa
quando a sessão foi cancelada. Mas a decisão passou por ele, não há dúvidas.
Renan agiu como um dedicado aliado do governo, embora seja razoável supor que
não passou incólume nem pelos protestos e tampouco pela pressão que outros
parlamentares exerceram sobre ele. Na avaliação de um cientista político que
atua no legislativo, esse favor do peemedebista deve ter custado caro ao
governo.
O
cancelamento da sessão não significou o fim do impasse em torno do veto. Ao
longo da tarde e início da noite, a pressão de servidores prosseguiu dentro e
fora do Congresso. Há quem estime que 15 mil servidores participaram do
protesto. O dado é incerto. Porém é certo afirmar que a mobilização foi muito
além disso, pelo país afora, nas atividades e vigílias nos estados ou nas redes
sociais. O ‘cerco’ presencial e virtual aos parlamentares deve ter pesado na
decisão do presidente do Congresso de convocar outra sessão para a quarta-feira
que vem, dia 9 de setembro, às 11 horas.
Nova
manifestação, com caravanas, será convocada para a quarta-feira (9), em
Brasília. Foi o que definiu o Comando Nacional de Greve, reunido após a
manifestação, na sede da Fenajufe. A orientação é para manter e fortalecer a
greve nesse momento considerado decisivo. “O governo hoje passou um suadouro,
porque ele achou que tinha [o risco] de perder”, disse o servidor Pedro
Aparecido, de mato Grosso e da direção da federação, durante o Comando de
Greve. Ele disse que não faz sentido desistir agora, momento em que a greve
mais incomoda. “A nossa greve faz uma diferença tremenda”, afirmou, assinalando
que o governo está “tremendo” e não é hora de retroceder, por maior que seja o
natural cansaço de uma greve tão longa e com tanta mobilização.
LutaFenajufe
Notícias
Por Hélcio Duarte
Filho
Quarta-feira, 2 de setembro de 2015
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